Você não está sozinho na guerra dos concursos públicos

Quer ganhar quanto?

Vencimentos de R$ 19.500? Por acaso alguma iniciativa privada propicia isso facilmente, sem sonegação de impostos e outros atos ilícitos? É evidente que tem lá suas profissões liberais ou empresariais que permitem isso de maneira juridicamente saudável, mas não são muitas.

O concurso público vem a permitir que uma pessoa sem qualquer rendimento mensal expressivo ou com uma renda básica para sua mantença passe a integrar uma casta da sociedade que vive acima da linha do luxo, que ostenta poder financeiro e status. Hoje o Poder Público é patrocinador das maiores remunerações iniciais, mas não é tudo, uma vez em posse de tal cargo, a sabedoria em se especializar academicamente pode até triplicar sua renda.

Eu nem imagino o que é ganhar R$ 5.000,00 por mês, quiçá R$ 19.500,00!!!

Mas tudo é uma questão de opção. Tem concursando que deseja apenas um holerite que lhe permita fazer regularmente uma viagem internacional, ou contratar um casamento, ou comprar um carro do ano, de modo que sua vida não o torne inadimplente com os compromissos financeiros que assumir. Outros visam não apenas um casamento ou carro do ano, mas serem notados na sociedade como alguém diferente (não estou pregando que o dinheiro faz diferença entre o caráter das pessoas). É dizer, conforme seja a vontade de cada um, aí residirá sua escolha do cargo público. Isso sim é de contestar. Temos visto que a ética, ou melhor, não temos visto a ética rondando os corredores forenses, da Administração Pública etc ultimamente justamente por causa da ganância. Creio que se canalizarmos a nossa necessidade e assim optarmos pelo cargo expoente, o “maná não apodrecerá”, ou seja, nossos vencimentos, sejam de mil, cinco mil ou dezenove mil e quinhentos reais, qualquer que seja o valor, sem dúvidas estarão à medida de nossas expectativas.

Com isso, adentro num tema corrente em nosso meio, o famigerado “concurso escada”. É o modo de ascensão paulatina, consciente, afinal, não são todos os que conseguem de início serem aprovados nos cargos visados e mais remunerados. É, pois, uma conquista! E como toda conquista presume uma luta, seja o concurso escada ou o objetivo final, sempre haverá muito suor, digo, muito estudo.

Pessoal, nunca deixem de estudar sem foco, ainda que o concurso não esteja em vista. É necessário que o edital antigo seja esgotado a longo prazo, para, como numa digestão, seja aproveitado cada tópico de matéria e também faça muitas provas antigas. Se deixarmos a preparação para após a sua publicação, já viu, né? Ou você nunca estudou só quando saiu o edital? Hehe...

Já falei dos cursos completos e da jurisprudência do STF/STJ, mas é intuito que aí se inclua o posicionamento do tribunal ou do órgão que você esteja se preparando. Ah! E façam até concurso para um cargo de R$ 465,00, pois, como também já falei, a experiência do ambiente do concurso é bastante significante, ok?

Resumo da ópera - Se você almeja um sucesso financeiro por meio do concurso público, não se esqueça que para isso você deve primeiro passar! Em conclusão, estude de maneira organizada e focada. E caso esteja demorando a passar, reveja seu plano de estudo e mire um alvo mais concreto. Ah! Alcançando o cargo, seja ético e pregue a lisura no exercícios das funções.

RC é mais um concurseiro solitário que não quer as despesas maiores do que a receita pessoal.

IMPORTANTE - Os textos publicados nesse blog são de inteira responsabilidade dos seus autores em termos de opiniões expressadas. Além disso, como não contamos com um revisor(a) de textos, também a correção gramatical e ortográfica é de inteira responsabilidade dos mesmos.

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Você está pronto?


Estava pensando outro dia: essa vida de concurseiro profissional não é pra qualquer um não. Exemplo disso é uma amiga que acompanhei de perto a história de vida dela e, fiquem calmos, há um final feliz...rs...

Bom, tudo começou quando a conheci, em meados de 2005, quando sai de minha faculdade (tendo em vista abusos financeiros por parte desta), e fui para outra na mesma cidade. Ela era estudiosa e disciplinada. Vira e mexe sempre discutia algumas questões complexas com ela. Sempre queríamos ter notícias dela, pois eu sabia que ela enfrentava concursos públicos e tinha o mesmo sonho que o meu: magistratura estadual!

Salvo engano meu, ela se formou em 2003. Nunca perguntei. Naquele tempo não havia a polêmica Emenda Constitucional nº. 45, que não permitia o ingresso na magistratura antes dos 3 anos de atividade jurídica. Assim sendo, logo que ela se formou se atirou de cabeça nos concursos.

E não foram poucos, amigos! Começou atirando para tudo que é lado, como sempre é com todos os concurseiros iniciantes. Fazia prova em todos os estados que lhe era tangíveis: magistratura do Paraná (2004), magistratura do MS e TODOS, repito, TODOS os concursos para a magistratura de SP.

Era complicado quando ela voltava de um concurso que não ia bem. Sumia por uns tempos, coisa de uma semana, mas logo já retornava à sua rotina de estudos.

Estudávamos, juntos, cerca de 7 horas por dia (naquele tempo eu não trabalhava). Tinha vezes que havia uma emergência, provavelmente do trabalho dela: advocacia. Assim, não podia estudar o dia inteiro e era uma frustração.

Houve tempos em que ela parou de estudar lá. Sumiu. Não sabia se era desânimo, desistência ou só um tempo de descanso.

Depois de aproximadamente 4, 5 anos após se formar, os resultados começaram a vir. Passou em um concurso para uma autarquia federal em uma ótima colocação. Ficou aguardando chamarem-na. Começou a passar nas primeiras fases do concurso da magistratura estadual de sp. Porém, sempre ficava na segunda fase. Era difícil ela dizer: “Poxa, deu branco! Não lembrava qual era a diferença entre os tipos societários! Não foi dessa vez!”.

Eu lembro das brincadeiras que fazia com ela...rs...Havia salas de estudo que eram fechadas na biblioteca e, geralmente, ela estudava nesses lugares. Chegava devagar, batia na porta, e dizia: “Com licença Excelência”. Ela dava risada e dizia: “ainda não”! E eu complementava: “Mas um dia será!”.

Até que, no Exame nº. 180, considerado um dos mais difíceis da magistratura de sp, ela passou na primeira fase. Enfrentou a segunda fase e passou também! Lembro que o último contato que tive com esse exemplo de vida foi quando estava chegando a data de seu psicotécnico. Topei com ela rapidamente na biblioteca; ela estava apressada. Eu disse: “E aí? Quando é a prova oral?”; Ela: “Não sei! Mas já marcaram meu exame psicotécnico”. Eu: “Posso assistir?”. Ela: “Não, não, fico muito nervosa!”.

E nunca mais a vi. Passado isso, fui assistir uma das arguições. Quem viu a banca (considerada a mais vanguardista do TJSP), notou que os examinadores não estavam facilitando a vida dos candidatos. Cheguei a conversar com um amigo em comum para perguntar se ele tinha visto a nossa amiga depois do oral dela. Ele chegou a dizer: “Conversei com ela. Mas ela disse que acha que não foi bem. Estava difícil demais”. Depois de um tempo, enquanto eu já estava advogando, ao fazer uma consulta de um processo no site do TJSP, lembrei que já tinha saído o resultado final da magistratura.

Quão grande foi minha alegria ao ver a minha colega, aprovada dentre os primeiros 40 colocados num total de 76, salvo engano. Após seis longos anos depois de formada ela havia realizado o seu sonho. Era juíza! Fiquei muito feliz por ela! Muito mesmo.

Infelizmente não tive a felicidade de encontrá-la nos fóruns da vida. Porém, em dois ou três processos criminais que havia pegado para analisá-los me deparei com uma bela surpresa: os despachos eram dela.

Resumo da ópera - Para saber se você está pronto para essa vida dura de concurseiro analise a sua conclusão sobre o relato acima: caso você tenha ficado motivado e com muito mais vontade de lutar pelo seu sonho, você está no caminho certo. Todavia, se achou que seis anos é tempo demais de estudo e que é loucura o que ela fez, está na hora de você rever a sua decisão de ser um concurseiro sério e profissional, pois o seu sonho pode se realizar mais facilmente do que o de minha amiga. Porém, pode demorar muito mais. Você está pronto?

Jerry Lima, um concurseiro que está aproveitando o caminho!

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Mulheres e crianças primeiro

Para hoje pensei em um artigo sobre um assunto que interessante e afeta não somente os concurseiros novatos, como também concurseiros experientes, algo muito pertinente na guerra dos concursos públicos, um fantasma que nos roda de tempos em tempos.

O tempo é areia que escorre por entre nossos dedos”, já disse o poeta. Nenhuma descrição sobre como o tempo passa rápido e nos escapa poderia ser melhor. Concurseiros têm na escassez tempo ao mesmo tempo um grande aliando e também um grande inimigo. É aliado no sentindo de que nos obriga a estudar mais e melhor e um curto período, nos obriga a otimizar nossas técnicas de estudo, a aprendermos a nos virar. E é inimigo no sentido de que geralmente demos de dar conta de um grande volume de matérias e tópicos e um período de tempo insuficiente para estudar decentemente 1/3 disso!

Certo, nos inscrevemos para um concurso que tem provas marcadas para daí um mês e meio, no máximo dois meses no futuro. Olhamos para o edital e está lá aquela montanha de matérias para estudar. Paramos, pensamos, analisamos, mastigamos, digerimos ... e concluímos que estamos fudidos de verde, amarelo, azul e branco porque, simplesmente, não teremos tempo hábil para estudar como se deve tudo aquilo, pior, nem para estudar mal e porcamente tudo aquilo. Daí o bicho pega, o desespero aparece e o concurseiro sente aquele enorme nó na garganta que quer desaguar em choro desesperado.

É nesses momentos de pânico que devemos ter calma, muita calma, afinal de contas, vida de concurseiro é isso mesmo, ninguém disse que seria fácil.

Então você, concurseiro, se vê dessa típica situação, muita matéria para estudar e pouco tempo disponível. É aqui um daqueles momentos em que a pessoa mostra que é um concurseiro sério ou um concurseiro “meia boca”, se será um sério competidor a uma das vagas oferecidas no concurso ou se será “bucha de canhão, se terá alguma chance de sucesso ou se apenas ganhará mais uma desastrosa derrota.

Mulheres e crianças primeiro” não é um bordão muito usado em desenhos animados e filmes, mas uma regra válida quando é necessário salvar pessoas em perigo. Em primeiro lugar vêem as crianças, depois as mulheres, depois os idosos e, por último, os homens, ordem essa por conta da resistência e chances de sobrevivência sozinho. O concurseiro sério que se depara com situação de emergência, onde há muito o que estudar e pouco tempo para isso, também utiliza de uma “lista de prioridade de salvamento”, ou seja, “as matérias prioritárias primeiro, depois as menos prioritárias”.

Certo, devo estudar as matérias prioritárias primeiro e se der tempo o resto. Mas como definir quais são as matérias prioritárias?” perguntaria o concurseiro sério novato ... uma daquelas perguntas que valem não um milhão de reais, mas a posse em um belo cargo público. Pois bem, as regras de priorização de matérias não são rígidas e dependem de cada concurseiro, por isso vou apresentar as regras que uso pessoalmente para você ter uma idéia de por onde seguir para criar suas próprias regras. Repito, essas são as regras que eu uso, não são verdades absolutas.

Prioridade zero – Matérias com peso dois.

Prioridade alta – Matérias que nunca estudei e que terão um bom número de questões + Matérias que já estudei, mas que combinem conteúdo mais complexo e terão um bom número de questões.

Prioridade média – Matérias que nunca estudei que terão pequeno número de questões.

Prioridade baixa - Matérias que já estudei e preciso fazer apenas uma revisão para ir bem na prova.

Com essa lista de prioridades consigo me guiar em tempos de emergência e orientar meus estudos de forma eficiente. Antes de adotar essa lista confesso que apanhei bastante e no resultado final dos concursos lá estava eu entre classicados em 1.000 e 2.000. Depois que adotei essa lista de prioridades as coisas melhoraram muito e todos os concursos que prestei desde então me classifiquei entre os 70 primeiros colocados.

Resumo da ópera – Sugiro fortemente que você tire uma tarde de sábado para analisar honestamente e com cuidado seu desempenho nos últimos concursos públicos que prestou, procurando pelo que errou no seu preparo para eles. Através dessa análise você conseguirá preparar sua própria lista de prioridade de estudo, o que, garanto, irá causar uma revolução em seu desempenho como concurseiro ... para melhor, muito melhor.

Charles Dias é o Concurseiro Solitário.

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CLIPE DO DIA


Paris Hilton - Stars Are Blind

Sim, Paris Hilton também é cantora e confesso que acho essa música dela muito legal, chama-se "Stars are blind".

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Primeiros passos

No artigo de ontem dei algumas dicas aos concurseiros novatos que visitam o blog quanto a como começar a estudar Direito Constitucional e Direito Administrativo. Pois bem, acho pertinente complementar com algumas dicas sobre como estudar matérias desconhecidas para concursos públicos, que é algo bem diferente que estudar para o vestibular ou para a faculdade, visto que o tempo é reduzido e a cobrança das matérias é muito mais dura e cruel.

Ao longo de minha jornada na guerra dos concursos públicos, tenho por mim que o melhor método de estudo para lidar com matérias que nunca vi na vida é o que chamo de “método 1, 2, 3, 4”, um método bastante simples, porém muito eficiente, mas um tanto trabalhoso e que requer uma boa dose de disciplina. Esse método, como já diz o nome, é composto por quatro passos:

1º passo – Inicialmente devemos tratar de tomar conhecimento da matéria, mas nada profundo num primeiro momento. O objetivo nesse momento é travar o primeiro contato com a matéria para termos uma idéia do que ela trata, do nível de dificuldade que enfrentaremos no estudo e, também, se o material que vamos usar é de boa qualidade ou não. Para isso, faça uma leitura rápida dos tópicos que precisará estudar. Leia grifando termos desconhecidos, analisando se o material de estudo explica pontos importantes, se segue uma seqüência lógica de raciocínio. Após a leitura, procure a definição dos termos que grifou, se necessário anotando nas páginas onde aparecem tal definição, de forma que quando você for estudar a matéria para valer, não precise parar o estudo para ficar procurando essas definições, o que é um veneno para o bom estudo.

2º passo – Agora chegou a hora de estudar para valer a matéria. Esse passo deve ser repetido duas ou três vezes conforme o tempo que se tem disponível para estudo. O estudo nessa fase é mais lento e o nível de atenção é máximo. A idéia é entender a matéria, compreender como os diversos pontos do tópico se relacionam. Ou seja, a palavra de ordem nesse estágio é “aprender pra valer”.

3º passo – Depois que você já está íntimo da matéria, chegou a hora de facilitar sua vida. Nesse passo a idéia é estudar com um bloco de papel do lado fazendo um bom resumo da matéria, procurando anotar conceitos chave, pontos mais difíceis de entender e/ou memorizar. A idéia desse resumo é substituir a matéria seca no estudo periódico e servir como material de consulta rápida nos dias anteriores à prova.

4º passo – Não adianta nada estudar sem fixar o conhecimento adquirido. Adaptando um verso de uma música antiga, “memória sem fixação é vandaval”, ou seja, não fixou a matéria, esqueceu. O problema de esquecer o que se estudou por falta de fixação é que se perde tempo por precisar estudar tudo novamente um ou dois meses depois. E como é feita essa fixação? Preferencialmente resolvendo muitas questões de concursos passados ou questões simuladas. Se isso não for possível, relendo o resumo com muita atenção pelo menos uma vez por semana, se possível duas vezes.

Resumo da ópera – Esse, gente, é o método de estudo que uso para matérias com que nunca tive contato. Não é um método exclusivo, muito menos um método revolucionário de estudo, mas funciona muito bem. Fica a dica para os concurseiros novatos (e também para os nem tão novatos assim).

Charles Dias é o Concurseiro Solitário.

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CLIPE DO DIA

O clipe de hoje é uma gravação ao vivo de um show na Grécia da ótima jazz band Club des Belugas com sua bela "What is jazz".

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Qual direito em primeiro lugar?

Faz alguns dias um concurseiro iniciante postou no shoutbox um questão muito interessante. Ele perguntou se para um concurseiro recém desembarcado na guerra dos concursos públicos seria mais interessante estudar primeiro Direito Constitucional e somente depois Direito Administrativo ou se poderia estudar ambas as matérias simultaneamente.

Essa é uma daquelas perguntas aparentemente muito simples, mas que não são nada fáceis de serem respondida apropriadamente. (In)Felizmente sou obrigado a dar uma resposta do tipo “encima do muro” ... depende.

Digamos que se trate de um concurseiro recruta que nunca teve nenhum contato com direito como matéria de estudo, nem mesmo leu um trecho que seja da Constituição. Nesse caso seria loucura tentar estudar ambas as matérias ao mesmo tempo. O que se conseguiria com isso seria muita, mas muita confusão mesmo.

Agora, se estivermos falande de um concurseiro recruta que já teve algum contato inicial com o direito como matéria de estudo, pelo menos tem uma noção do que está escrito na Constituição, bem, nesse caso é até possível, com muita organização e uma boa dose de esforço, estudar ambas matérias ao mesmo tempo de forma mais ou menos eficiente.

Realmente, esse tipo de dúvida é muito comum entre concurseiros iniciantes e não poderia ser por menos. Eu mesmo quando comecei a estudar me perguntei isso. Como na faculdade tive um semestre de “Introdução ao Direito”, optei por estudar ambas as matérias simultaneamente ... e mesmo assim me embananei em alguns pontos.

Em minha humilde opinião, são dois os problemas que giram em torno dessa questão:

1º - A estreita relação entre as matérias, que se em muitos pontos é uma vantagem, em outros é, sim, uma grande desvantagem.

2º - A falta no mercado editorial voltado para concursos de algum livro do tipo “Introdução ao Direito para quem não tem a mínima idéia de como começar a estudar essa disciplina”, algo que ajudaria muito aos novatos na guerra dos concursos públicos.

No caso de se estudar Direito Constitucional antes de Direito Administrativo, sugiro não aprofundar muito na matéria, visto que Direito Constitucional é vasto e pode tirar o foco do concurseiro. Estude o “geralzão” de Direito Constitucional duas vezes, faça uma centena de exercícios, só então comece a estudar Direito Administrativo no mesmo esquema.

Resumo da ópera – É isso aí, gente, na dúvida de como fazer correto, pergunte para quem já tem mais experiência.

Charles Dias é o Concurseiro Solitário.

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Voltou o desejado e saudoso CLIPE DO DIA

Santigold com a agradável "Lights Out" ... tem gostinho de anos 80.

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É tudo uma questão de ponto de vista

O artigo de ontem causou mais controvérsia do que eu imaginava que poderia causar. O clima esquentou no shoutbox e foram vários os emails que recebi de leitores do blog, tudo por conta da polarização das opiniões. Muitos concordaram com minha posição expressa no artigo, enquanto outros discordaram completamente.

Pois bem, vamos então trabalhar um pouco melhor esse assunto hoje. Começo com uma pergunta. Tempos atrás estava conversando com um amigo que nem pensa em concursos públicos. Ele trabalha com desenvolvimento de softwares para uma grande empresa do ramo, gosta do que faz, a empresa o valoriza e ele tem um salário mensal pouco menor que R$5 mil reais, é casado, tem uma filhinha linda de cinco anos de idade, a esposa é professora de jardim de infância. Ele contava que havia ido ver o preço de uma automóvel maior, algo do tipo Meriva, Zafira, Megáne, Picasso, aqueles carros tipo minivam para quem tem filhos que não param quietos. Pois, bem, se apaixonou pelo novo Citroen C4 Picasso, achou o automóvel bonito, confortável, bom de dirigir, com ótimo espaço interno e tal, mas assustou com o preço, R$83 mil. Conversa vai, conversa vem, contras analisados, prós levantados, então ele me disse algo que reflete muito bem a realidade. “Charles, não é o carro que é caro, nós brasileiros é que ganhamos pouco mesmo”.

A discussão em torno do artigo de ontem foi sobre ser correto um servidor do Senado Federal ter uma remuneração média em torno de R$20 mil. Não só entre nós, mas na mídia e na boca do povo, esse valor é imoral, absurdamente algo, incompatível com a realidade brasileira, escandaloso e tal. Concordo que esse valor é realmente muito alto se o compararmos com o salário mínimo atual de R$465 (é 43 vezes maior), ou mesmo com a remuneração média (de edital) de um servidor de nível médio na esfera federal, em torno de R$3,5 mil (5,7 vezes maior). Mas daí adapto o que disse esse meu amigo e pergunto para vocês. “Concurseiros, não são os servidores do Senado que ganham muito, são as outras profissões que ganham pouco mesmo?”.

Vocês acham que um salário mínio de R$465 é justo ou mesmo suficiente para dar conta de todas as necessidades previstas na Constituição, que tecnicamente o salário mínimo deveria cobrir? Vocês acham que R$3,5 mil é uma remuneração ótima para um servidor público federal? Eu acho que não para ambos os casos.

Tudo é uma questão de ponto de vista, de termos de comparação. Automóveis Mercedez no Brasil é sinal de status, de luxo, de riqueza. Na Alemanha e vários outros países da Europa Mercedez é usado como táxi, é um carro médio acessível à classe média. Outro exemplo, nos Estados Unidos um aparelho de celular Iphone de 16GB, aquele famoso de tela sensível da Apple, custa US$299, o equivalente a menos de R$600. No Brasil o mesmo aparelho, sem subsídio de operadora, custa por volta de R$2 mil. E olha que esses aparelhos são importados tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, uma vez que são fabricados na China. Além disso, US$299 frente ao salário mínimo médio dos Estados Unidos, que gira em torno de US$1500, é apenas 1/5 do danado. Aqui o mesmo Iphone custa 4,3 salários mínimos!

Notem que não defendo de forma alguma salários faraônicos para servidores públicos, não é nada disso. Argumente, isso sim, que no geral os salários e remunerações no Brasil são é muito baixos, muito baixos mesmo, essa é a grande verdade. Se o salário mínimo no Brasil fosse equivalente ao norte americano, por volta de R$2500, e um servidor médio federal tivesse uma remuneração média de R$10 mil, essa remuneração do Senado Federal não pareceria tão exorbitante. Estou certo ou estou errado?

Agora, outro ponto que quero argumentar é quanto ao fato de que como servidor público quem não concordar com o valor da remuneração recebida poderá tomar apenas três atitudes, se a remuneração for muito baixa poderá fazer greve (como acontece sempre no serviço público) ou pedir exoneração, se for muito alto poderá pedir exoneração. Nunca soube de servidor que se recusou a receber toda a remuneração por considerá-la alta demais e, portanto, injusta, e nem sei se existe um modo de servidor público recusar oficialmente parte da remuneração.

Resumo da ópera - Termino esse artigo com uma pergunta. Você foi nomeado e empossado para um cargo público com remuneração de R$3,5 mil. Está tudo muito bom, tudo muito bem. Então é publicado no Diário Oficial que a remuneração do seu cargo passará a ser de R$10 mil. O que você, servidor honesto e trabalhador, faria? Continuaria trabalhando e recebendo tal remuneração? Pediria Exoneração por não concordar em receber uma remuneração tão alta?

Charles Dias é o Concurseiro Solitário.

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Ahhhhhgggggrrrrrrrr ...

Ontem estava lendo uma dessas revistas semanais e numa matéria sobre o escândalo do Senado, havia um box com uma entrevista com um servidor dessa casa legislativa. Basicamente tal servidor dia que sentia vergonha de trabalhar no Senado e que pensa seriamente em abandonar a carreira pública para voltar à iniciativa privada, pois apesar de ser um servidor honesto, que não se metia em falcatruas, mesmo assim recebe uma remuneração que considera astronômica (geralmente R$20 mil, mas que em junho chegou a R$32 mil).

Putz, é lendo coisas assim que fico puto, mas muito puto da vida!

Quando terminei de ler a tal entrevista pensei, “putz, eu aqui ralando feito um condenado, estudando feito um louco 10 horas por dia todos os dias, pedindo a Deus para ser empossado num cargo de R$3,5 mil (para começar) e esse cara falando tanta bobagem”.

Penso assim. Como escrevi no artigo de sexta, quando me propus a prestar concursos públicos, já tinha em mente que serei um servidor 110% honesto e ponto final. Não participarei ou serei omisso frente a ilegalidades, falcatruas e toda essa sujeira que ronda o serviço público no Brasil. Para mim o Código de Ética dos Servidores Públicos (de qualquer poder e esfera) não é letra morta, mas é algo para ser seguido a risca, é um código de conduta moral que me proponho a seguir para poder deitar tranquilo a cabeça no travesseiro a noite e dormir o sono dos justos.

Agora, uma coisa é não ser desonesto por ação ou omissão, outra coisa completamente diferente é um servidor querer se insurgir contra benefícios e níveis remuneratórios estendidos a todos os servidores do órgão onde trabalha. A primeira coisa é ser honesto e ético, a segunda é querer aparecer ou ter um parafuso a menos na cabeça.

Peguemos um exemplo prático. Digamos que por algum milagre muito milagroso os governadores do Brasil resolvam criar um piso remuneratório para os policiais militares, de forma que um soldado (mais baixa patente da carreira) passe a ter uma remuneração inicial de R$5 mil (nada mais justo para esses profissionais que arriscam a vida todos os dias em meio à violência urbana). Ok, tudo muito bom, tudo muito bem, mas daí começa a rolar um movimento de policiais militares de diversos estados insatisfeitos contra esse piso remuneratório que consideram muito alto e ameaçam entrar em greve se tal valor não for cortado pela metade. Isso tem sentido? Todos os policiais receberem esse piso remuneratório é desonesto ou antiético? Eu acredito que não.

Se eu fosse hoje servidor do Senado Federal com um salário astronômico desses, tranqüilo por não participar ou nunca ter participado de falcatrua nenhuma, não sentiria vergonha nenhuma, nada disso. Continuaria trabalhando de queixo erguido, fazendo o meu trabalho da melhor forma possível e exigindo vigiando meus colegas para que fizessem o mesmo.

Mas é aquela história, “para cada cabeça, uma sentença”. Não conheço o servidor que deu a tal entrevista, não sei qual a realidade que ele vive, quais os valores morais e ético pelo qual baliza sua conduta, portanto não sou eu que vou julgá-lo certo ou errado em sua crença nesse assunto. Vivemos em um pais que preza a liberdade de consciência, e apesar de não compartilhar de sua opinião, defendo com unhas e dente seu direito de ter uma opinião diferente da minha.

Resumo da ópera – Perdoem-me pelo desabafo, mas se ponham no meu lugar, estou estudando a pouco mais de dois anos, rezando todos os dias por uma nomeação, cansado, de vez em quando espreitado pela sombra da frustração, doido para ficar feliz da vida com uma remuneração de R$3,5 mil que seja. Nessa situação não posso deixar de ficar injuriado quando um servidor público se diz envergonhado por ganhar em mesmo trabalhando honestamente, não posso mesmo. Dá vontade de falar para o cara, “ei, amigão, vamos trocar de lugar por uns três meses e depois conversando”.

Charles Dias é o Concurseiro Solitário.

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